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A Carta de Luíza

2019 de Janeiro, 15 | Literatura de Balcão

Dos vários prazeres que a atividade comercial me traz, destaco o convívio com pessoas. Pessoas legais. E a imensa maioria é, thanks God. 
Nunca escondi que gosto de gente muito mais do que de pão (ainda que quentinho). Por isso me sinto feliz em acompanhar tudo o que as pessoas resolvem compartilhar sobre suas vidas. 
Vale para todos os assuntos e todas as pessoas, desde o tiozinho ambulante que conta sobre sua falta de dentes, até o catador que me traz um trevo da sorte e orienta pensar em coisa boa que não seja dinheiro, passando ainda por meus funcionários e clientes. Cada pessoa é um universo e eu adoro pessoas e suas histórias. 
E entre essas alegrias, tem a Luíza. 
A Luíza é uma clientinha especial para nós. Seu emprego a transferiu do Rio de Janeiro para a fria Porto Alegre e, desde então, ganhamos de presente sua carioquice descontraída, solta e mimosa. Por três anos ela frequentou nossa loja com aquele sorriso delicia, e suaish hishtóriaish diverrrtidaish. 
Lembro que chegou ao Sabor de Luna por indicação dos pais que, em visita à cidade, palmilharam o bairro num cuidadoso reconhecimento de terreno. No primeiro dia em que os atendi já saímos abraçados como se estivéssemos encerrando um futevôlei na praia da Barra. 
Acompanhamos um pouco da rotina da Luíza, o seu cãozinho educado, seu zelo em agradar aos pais levando baguetes frescas e sorrentinos e tortinhas e medialunas- transportados ao Rio na mão, como se fossem flores. E também choramos quando a Luíza foi transferida para São Paulo em final de 2018. 
Pois hoje ela esteve na loja e nos deixou esse bilhete (ps: é verdade!) de amor. Só por ser no formato bilhete-escrito-à-mão já fala muito da Luiza. E nos emociona porque percebemos o tamanho (e a real possibilidade!) dos laços afetivos surgidos ao acaso.
Quando clientes viram amigos (e felizmente isso é bem comum num pequeno negócio de bairro), algo lá dentro de nós confirma que estamos trabalhando do jeito que gostaríamos: não apenas vendendo produtos, mas participando da experiência de vida das pessoas, fazendo trocas positivas, estabelecendo uma valiosa conexão humana. 
Obrigada, Luíza, por compor nossa memória. Sê feliz.🎈

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