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O brasileiro como ele (realmente) é

2019 de Junho, 07 | Literatura de Balcão

Minha amostragem de balcão permite descrever o brasileiro como um ser íntegro, educado, generoso e honesto.

Do tipo que volta pra pagar o fiado, que devolve troco a mais, que liga para avisar algum engano.

Costumamos brincar que, se o cliente não cuidasse do nosso negócio com tal zelo e precisão, já teríamos quebrado.

Gosto desse padrão de relacionamento e faço questão de mantê-lo. Aqui reforçamos a prática da honestidade evitando fiscalização e controles antipáticos.

Cada um vem ao caixa confirmar o que consumiu. E é nisso que acreditamos.

Esse dias uma pessoa avisou que comeu uma tortinha que não constava na nota fiscal. Agradeci a informação com a naturalidade de quem ouve isso sempre. Mas ela pediu deferência especial ao comentar que “não é qualquer um” que volta para pagar. Elogiei a iniciativa e contei que felizmente nossa freguesia é assim. Não quis desmerecer sua atitude nobre, de forma alguma, mas apenas não contribuir com a banalização da “desonestidade” como se fosse um traço típico do cidadão brasileiro. Não é.

Percebo o orgulho que meus clientes sentem ao fazer o que é certo. Sinto, quando atendo no caixa, que se preocupam em informar o consumo com exatidão e que gostam de ser “acreditados”. (Deve ser a mesma satisfação que temos em confiar neles).

Essa onda de corrupção, malandragem e imoralidade, às vezes bule nossa auto-estima como cidadãos, mas precisamos lembrar que brasileiro é aquele que põe mais água no feijão para receber quantas bocas for. Que compartilha, que socorre. Que vive enfrentando riscos. Que aposta, persevera, acredita.

Outra cliente devolveu uma colher que o filho levou junto com os brinquedos. Isso também acontece com frequência - já levaram a chave do banheiro, da loja, até o telefone sem fio. Todos voltaram para devolver. Há algo muito maior por trás desses atos, além da honestidade. Está a consideração, a consciência sobre o trabalho do outro. E, quero crer, um desejo de sucesso dos que dão duro para prosperar corretamente. Tipo um espelho. A clientela torce por nosso êxito porque se sente parte dele. E é mesmo.

E não para aí.

Tenho a honra de conviver diariamente com funcionários que saem e voltam da sua comunidade com medo da violência, mas não abandonam a via limpa do esforço para garantir sua dignidade, e a subsistência da família. Trabalham com preocupações, locomovem-se com receio, mas vivem em paz com sua consciência, orgulhosos de quem são. E por isso, vai ver, não perdem o sorriso - nem a fé.

Vamos em frente. Um lindo dia de trabalho e de vida honesta a todos.

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