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2019 de Janeiro, 24 | Literatura de Balcão

Neste sábado apareceu na loja uma senhora pedindo para falar com a proprietária. Me apresentei toda ouvidos, podia ser reclamação.

Sacou da bolsa umdelicado buquê de flor, feito por ela mesma, e disse que trouxe para agradecer: por mantermos em Porto Alegre uma padaria/confeitaria que poderia existir em qualquer outro lugar. Mas que está aqui, crescendo, acreditando e, sobretudo, produzindo as palmeritas (orelhinhas de macaco) que ela ficou muito feliz em reencontrar com a qualidade que buscava.

Eu sorri emocionada, agradeci, puxei uma conversinha mais protocolar. No calor do ambiente lotado, deixei de abraçá-la, de rodopiar com ela no colo, de perguntar o nome dessa senhora que foi tão querida e surpreendente.

Não que nossos clientes sejam difíceis. Não são. São exigentes, mas em geral muito cordiais. Aliás, se eu fosse descrever o brasileiro pela amostragem que atendo no balcão, diria que é o povo mais educado, honesto, respeitoso e afetivo que existe sobre a terra.

Mas nesses tempos em que as pessoas têm o sangue fervendo por uma problematização, o ânimo treteiro a postos, a mão calibrada para o apedrejamento, receber flor assim, do nada, é bem comovente.

Precisamos celebrar as iniciativas de carinho que nos surpreendem. Afinal, rituais de agradecimento usando velas, frutas, dança, flores, são conhecidos desde os primórdios da humanidade. A cliente fez seu ritual, faço o meu agora, tornando pública essa história depois de ter dedicado à nossa equipe interna o presente recebido.

E se você por acaso conhecer uma senhorinha que faz lindos arranjos de flor na cidade, por favor diga a ela que seguiremos por aqui, consolidando nossa existência, passo a passo.

Que é na sua boa energia que nos inspiramos quando levantamos cedo e enfrentamos o que quer que seja (os 3 graus de frio é o desafio mais morno da nossa rotina de inverno, acredite).

Que é nela - simbolicamente representando o mercado- que pensamos na hora de perseguir a excelência do que produzimos, a melhoria da estrutura, do staff e da gestão. Temos muito pela frente. O trabalho é vasto e interminável. Estamos aprendendo e evoluindo todo dia. Suando e sorrindo todo dia.

E mesmo nos dias em que nem tudo são flores, a gente seguirá confiando que, com o devido cuidado e dedicação, alguém (por mais anônimo e silencioso que seja) nos lembrará de que nossa existência não é em vão.

 

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